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São Paulo de Piratininga (1554 – 1827)


Fundada em 25 de janeiro de 1554 pelo Padre Manuel da Nóbrega e Padre José de Anchieta, auxiliados pelo Cacique Tibiriça, São Paulo de Piratininga tem seu nome relacionado ao dia do santo da Igreja Católica (25 de janeiro, dia de São Paulo) e e Tamanduateí que extravasavam abundantes peixes em suas margens (Piratininga significa “peixe seco” em tupi).

 “Fundação de São Paulo ”,
 Antônio Diogo Parreiras, 1913

.
São Paulo de Piratininga foi consolidada e desenvolvida por Anchieta, que dedicou 21 dos seus 44 anos de Brasil ao nascente arraial. A serviço da Companhia de Jesus, o jesuíta Anchieta criou a base de um povoado que, inicialmente, tinha apenas intenções religiosas. No entanto, São Paulo de Piratininga seria mais tarde o elo de ligação entre Portugal e todo o interior brasileiro, principalmente através do Bandeirismo.

 
Bandeirismo
 

A grande população de mamelucos e a péssima situação econômica de São Paulo motivaram o adentramento ao interior brasileiro organizados em expedições chamadas bandeiras. No século XVII, observou-se o bandeirismo apresador, o qual aliciava índios como mão-de-obra escrava. O índio era o “escravo de pobre”, já que em áreas mais prósperas, como Bahia e Pernambuco, utilizava-se majoritariamente a mão-de-obra escrava negra. Já no século XVIII, observou-se o bandeirismo minerador, inicialmente para áreas auríferas de Cuiabá e Goiás e, mais tarde, para as Minas Gerais. Tem-se como bandeirantes famosos Fernão Dias (o “Governador das Esmeraldas”), Borba Gato (o descobridor do ouro em Minas), Anhanguera, Raposo Taváres e Bartolomeu Bueno da Silva. O Bandeirante é um dos símbolos mais fortes de São Paulo..

 
Taipa de Pilão
 

.Consiste na técnica de construção que utiliza basicamente o barro amassado por um pilão. À mistura de barro também se adicionava estrume de animais e folhas de árvores. A Taipa de Pilão foi a técnica de construção dominante em São Paulo dos fins do século XVI até começo do século XVIII. Seu uso era muito antigo em Portugal. A pedra, geralmente utilizada em construções coloniais nas áreas litorâneas, não era encontrada nessa região..

 
Lendas
 

As lendas correspondentes a esse período vão desde os possíveis milagres realizados por Padre Anchieta às histórias fantásticas de lutas de espadas em frente à antiga Igreja da Sé, onde teriam duelado representantes de duas famílias rivais, os Pires e Camargo. Ou ainda a estória de um homem que teria sobrevivido a um enforcamento após a corda se romper por duas tentativas seguidas. Dessa forma, os espectadores, crentes de um milagre, clamaram “Liberdade” ao condenado. O bairro então, passou-se a chamar Liberdade.

 
Cidade dos Estudantes (1828 – 1872)
 
A Faculdade de Direito
 

 Fac. de Direito São Francisco
  - séc. XIX - Foto de Militão
  Augusto de Azevedo

A Faculdade de Direito de São Paulo fora criada em 1828, em algumas salas cedidas pela igreja São Francisco. Hoje, então, apresenta o nome de Faculdade de Direito São Francisco. A presença de estudantes de inúmeros lugares do Brasil modificou o panorama dessa cidade que ainda respirava ares conservadores e coloniais. Os estudantes introduziram novas modas no vestuário. As calçadas, a natação, o flerte e o hábito de se reunirem para discussão e   divertimento   levaram a  vida

para as ruas, ao ar livre, criaram a necessidade de tavernas e livrarias. Tradições, costumes, tabus foram agudamente analisados pelos olhos da mocidade. São Paulo foi então, entre 1828 e 1872, sobretudo uma cidade de estudantes.

 
Costumes
 

Os acadêmicos de Direito costumavam ter um escravo à sua disposição, sendo de praxe dar-lhe a alforria depois de suas formaturas.
Um dos passatempos prediletos dos estudantes era passear a pé pelos arrebaldes paulistanos. Vieira Bueno, estudante entre 1830 e 1840, disse: “Fazíamos a pé grandes caminhadas, indo às vezes até a Penha; de uma feita fomos a Santo Amaro e voltamos no mesmo dia”.

 
Brincadeiras
 

As brincadeiras e mesmo as rapinagens dos estudantes iam longe. Furto de galinhas e perus nos quintais alheios eram comuns. O furto não era o objetivo maior, mas sim a aventura. Certa vez furtaram até o Veado de Ouro, emblema da famosa farmácia da Rua São Bento, “Botica Veado D`Ouro”, existente até hoje.

Numa das mais famosas repúblicas estudantis, a Comuna, era comum seus moradores colocarem na sacada do sobrado um manequim cuja boca se comunicava com o interior da sala. Tal boneco falava, assobiava e até vaiava certas pessoas.

Um estudante em especial, o Luz, se vestia de mulher e saía, à noite, com uma palmatória pelas ruas dando bolos nas mãos dos homens, dizendo ser a “Opinião Pública”.

 
Metrópole do Café (1872 – 1918)
 

A partir de metade do século XIX, a cidade sofreu transformações, muitas relacionadas com a produção de café, tais como a ligação da cidade com o porto de Santos através de ferrovias. São Paulo recebeu um grande número de fazendeiros enriquecidos do interior, assim como comerciantes, principalmente após a abolição da escravatura (1888). Como sede do governo e centro de comunicações, indústria e comércio, era natural que a cidade fosse escolhida pelas famílias abastadas.

 
Modernidade
 

A cidade começou a eliminar os aspectos que parecessem provincianos ou remetessem ao tempo colonial e não à modernidade pela qual a cidade passava. Várias procissões e festas religiosas foram proibidas, como a da Igreja Nossa Senhora da Penha, em 1903. As próprias igrejas barrocas de taipa de pilão foram substituídas por igrejas maiores, de concreto, seguindo principalmente o estilo gótico europeu, como a Catedral da Sé. Começou então, uma fase desenfreada de construções urbanas e a abertura de largas avenidas, como a Avenida Paulista, hoje centro financeiro da América Latina e grande símbolo da cidade.

Foto da Avenida Paulista
no começo do século XX

 
Foto da Avenida Paulista
Atualmente
 
Lazer
 

O mundo dos bilhares, teatros e corridas de cavalo oferecia agora séria competição à Igreja, especialmente porque as procissões atendiam mais uma necessidade social do que espiritual. Em 1894, Charles Miller trouxe duas bolas de futebol e introduziu o esporte no país, inicialmente entre funcionários de companhias inglesas. Em 1911 inaugurou-se o Teatro Municipal, considerado o edifício mais importante da época, recebendo grupos teatrais e líricos de todo mundo.

 
São Paulo de Agora ( 1919 – até hoje)
 

São Paulo a partir de 1919 assume o destino de uma cidade industrial, que vive uma economia moderna, cujo espírito superou a mentalidade, os costumes e tradições da economia latifundiária. Após a Primeira Guerra Mundial, a cidade deixa de ser a metrópole do café para tornar-se uma cidade essencialmente industrial, graças ao dinheiro advindo do próprio café e de todos os seus efeitos, como a imigração principalmente italiana.

Começaram a se formar em São Paulo os bairros de imigrantes, como Bexiga e Móoca (italianos), Liberdade (japoneses), Santo Amaro (alemães), Vila Maria e Belenzinho (portugueses), Higienópolis (judeus), Bom Retiro (coreanos), além dos milhares de migrantes brasileiros, principalmente os nordestinos, que concentraram-se em bairros como Itaquera. Todos esses migrantes e imigrantes incorporaram a essência da cultura paulistana e, mais do que isso, adicionaram a ela seus traços e peculiaridades culturais.

São Paulo não é uma cidade definitiva até hoje, mas uma metrópole em constante mudança.

 

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